Rio de Janeiro, 28 set (EFE).- O cineasta argentino Juan José Campanella defendeu hoje uma maior integração entre os produtores de cinema da América Latina e, para isso, considerou necessário que os povos aprendam mais sobre as diferentes culturas da região.
No entanto, o diretor atribuiu essa responsabilidade não ao cinema, mas aos sistemas educacionais, que, segundo ele, poderiam dar mais atenção à herança comum latino-americana.
"Em vez de aprender tanto a história dos fenícios e dos persas na escola, poderíamos estudar mais sobre os países da América Latina e, a partir disso, começar a se interessar um pouquinho mais pelos que nos cercam", disse Campanella em entrevista à Agência Efe, dentro do Festival Internacional de Cinema do Rio de Janeiro.
Campanella visita o Brasil pela primeira vez e apresenta seu último filme, "O segredo dos seus olhos", baseado no romance de Eduardo Sacheri. O longa fala sobre a reabertura de um caso judicial que, após 25 anos de investigação, ainda não foi resolvido.
Apesar do suspense da história policial, Campanella se mantém fiel a seu estilo e à sensibilidade com que trata a vida cotidiana, "com personagens críveis, de vidas muito comuns", e com uma grande história de amor.
No longa, Campanella trabalha pela quarta vez com Ricardo Darín, que para ele é "um ator que maneja muito bem a passagem do drama à comédia" e que dá vida ao protagonista Benjamín, que decide reabrir o caso judicial com a esperança de fechar histórias de seu passado.
"É muito forte o que se fala sobre a memória, sobre o olhar para trás na vida de uma pessoa. Gosto que a motivação do personagem para reviver toda essa história seja se perguntar por que está só, e não encontrar um culpado", explicou.
O passado está estampado nos filmes do diretor. Em "O filho da Noiva", "O mesmo amor, a mesma chuva" e "Clube da Lua", os personagens são prisioneiros de suas memórias e tentam se libertar delas.
Aos 50 anos, Campanella segue fazendo cinema com a motivação de quem aproveita a grande tela para atingir gente que não conhece. "O cinema é comunicação. O faço para que o povo veja, para contar uma história", diz.
"Quando uma pessoa relaciona o filme com o que lhe acontece e até chega a acontecer uma mudança em sua vida por ver um filme meu, então isso é o melhor que pode acontecer", confessa o cineasta.
O diretor, uma referência no cinema latino-americano, vê os prêmios de maneira prática: uma ferramenta para ajudar a divulgar os filmes e tornar possível que sejam vistos em locais onde não seriam normalmente exibidos.
O Oscar sim é "o prêmio", diz Campanella, com a esperança de quem viu "O segredo dos seus olhos" ser escolhido pela Argentina para concorrer.
Enquanto vive a expectativa, Campanella se divide entre a direção de episódios de séries de televisão como "Law & Order" e "House", e o cinema, que, como diz, acrescenta mais a ele "em nível pessoal e interno". EFE (Elisa Martins)
O diretor argentino mais conhecido no Brasil, apresentou seu novo filme O Segredo de Seus Olhos, no Festival do Rio. Aqui algumas
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